sábado, 10 de abril de 2010

Verdade para consigo

Esta postura desafiadora torna-se um veículo para paz e liberdade

























A promessa do Yoga é a libertação do sofrimento. Assim como o sábio Patañjali descreveu no Yoga Sutra, o primeiro passo em direção à liberdade pode ser encontrado na prática dos yamas – princípios do Yoga, ou contenção. Apesar de a contenção ou o controle serem freqüentemente confundidos com conceitos negativos como repressão ou falta de criatividade, eles nos guiam ao objetivo real do Yoga: a liberdade. Quando você observa a contenção na sua prática de Yoga e em sua vida, você sofre menos e causa menos sofrimento aos outros. 

Os primeiros dois yamas nomeados por Patañjali são ahimsa (não-violência) e satya (honestidade). Aplicar ou empregar isso na sua prática de asana significa estar presente no que está acontecendo em seu corpo em cada momento e respeitando suas limitações e fronteiras em vez de forçar ou ultrapassá-los nas posturas. Em uma postura como o ardha baddha padmottanasana (postura do alongamento intenso com meio lótus entrelaçado) isso significa trabalhar de maneira elegante antes de trabalhar duro. 

Mesmo não sendo uma postura de iniciantes, o ardha baddha padmottanasana aparece cedo na primeira série do Ashtanga. E sempre pára o aluno em seu caminho, demandando que reconheça suas limitações de uma forma bem tangível. Para alcançar a ilusão da postura e continuar na seqüência, muitos praticantes ultrapassam seus limites e/ou alteram a postura. Dobram o joelho da perna estendida, empurra os ombros do alinhamento para agarrar o pé, ou torcem o joelho em vez de abrir o quadril para executar a postura do alongamento intenso com meio lótus entrelaçado.

Mas uma postura executada com integridade é mais bonita do que uma baseada no ego e ilusão. Além disso, a tendência a forçar não é útil e pode hospedar lesões. Ardha baddha padmottanasana é um asana que vale a pena aprender para qualquer estudante – desafia os quadris, ísquios-tibiais, ombros e requer equilíbrio. Mas uma alternativa melhor para forçar a postura é cultivar as qualidades de moderação e a inteligência. 

Enquanto você se movimenta na seqüência que criamos, esforce-se ou batalhe para entender as ações da postura e trabalhá-las com inteligência até que você possa aumentar a intensidade. Dor em qualquer parte do corpo não deve ser confundida com uma “abertura”; é o seu corpo lhe enviando uma mensagem. Nesse caso, a articulação abaixo vai sofrer pela junta de cima, então se seus quadris forem rígidos e você forçar a postura meia-lótus, seus joelhos sofrerão. Em vez disso, escolha honrar ahimsa e satya estando presente com o que acontece no seu corpo e então adaptando sua prática. 

Quando você entre em contato com a prática do Yoga dessa forma, isso se torna uma ferramenta de observação. Você pode usá-la para revelar suas limitações e qualidades. Ao contrário de praticar uma série de posturas de maneira mecânica, você se sentirá vivo e com um ar de frescor. Quando você sente o desejo de se forçar em uma postura, volte a estar presente com o seu corpo e mente. Trabalhe com cuidado e inteligência investigativa. Tais qualidades são mais importantes na prática do Yoga do que conseguir fazer qualquer postura. 

Se você acha a postura ardha baddha padmottanasana difícil, use as modificações variações, que providenciamos por toda a seqüência como ferramentas para ajudá-los a explorar. A palavra vinyasasignifica “posicionar de uma maneira especial” e krama quer dizer “passos”. A expressão vinyasa krama nos lembra aprender as coisas gradualmente, por estágios. Se você se sente estupefato, simplifique o trabalho quebrando-o em menores, mais administráveis pedaços e trabalhando em áreas do seu corpo que necessitam de abertura. Seja paciente e deixe seu corpo se envolver gradualmente.

Chuck e Maty são professores de Ashtanga e alunos de longa data de Sri K. Pattabhi Jois. Vivem no Havaí www.chuckandmaty.com

Matéria publicada na íntegra na PYJ # 10